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07/10/2007

Problemas das hidrelétricas

Reportagem sobre as usinas hidrelétricas.

Vamos:

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Impactos das hidrelétricas destroem a fauna e a flora

O estudo de Impacto Ambiental da Usina Hidrelétrica de Barra Grande no ano de 2004 escondeu a existência de uma das últimas áreas primárias de araucárias do Brasil, na região sul do País. Com a barragem praticamente pronta, a verdade veio à tona. Essas e outras fraudes que são cometidas visando apenas o sucesso deste tipo de empreendimento e causam verdadeiros crimes ambientais. A solução para deter tantos problemas, infelizmente, ainda ninguém encontrou.
Isto porque o consumo de energia elétrica cresce vertiginosamente. O progresso das grandes metrópoles que estendem seus horários para que o consumo se dê durante o dia e a noite, aliado ao crescimento das cidades do interior, sem contar com o aumento da escala industrial, prova que não se pode viver sem energia. Essa demanda tem se tornado pauta para diversas discussões, quando o assunto é desenvolvimento urbano. A Unicamp junto ao Ceset, a Faculdade de Energia Elétrica e Computação (Feec) e o Instituto de Geociências (IG), promoveram na última semana o Fórum Permanente de Energia e Saneamento “Energia Hidrelétrica e Impactos Ambientais”. O objetivo do encontro, segundo o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, foi proporcionar uma oportunidade para se obter informações e discutir, com profissionais de atuação distinta nas áreas envolvidas, a geração e distribuição de energia elétrica e sua interação com o meio ambiente.
Entre os palestrantes, estiveram presentes o coordenador de Energia da Secretaria Estadual de Saneamento e Energia, Jean Casari Negri, que levou aos participantes temas técnicos sobre o planejamento e demanda energética. Além dele, proferiram as palestras, o professor da Feec/Unicamp Sérgio Bajay, e o geólogoTarcísio Borin da CPFL. O evento foi organizado pela Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais (CORI).

O consumo crescente e o impacto ambiental e social causados pelas fontes de energias tradicionais levam governo e sociedade a pensar em novas alternativas para a geração de energia elétrica. Segundo dados do Balanço Energético Nacional, mais de 40% da matriz energética do Brasil são renováveis, enquanto a média mundial não passa de 14%. No entanto, 90% da energia elétrica do país são geradas em grandes usinas hidrelétricas, o que provoca prejuízos ambientais como alagamentos e perda da biodiversidade local, como destruição da fauna e flora. E os problemas sociais não são menores, pois, há a remoção de vilarejos inteiros. Quase um milhão de pessoas no País já foram expulsas de suas terras. Diante deste cenário, as fontes alternativas de energia como eólica e de biomassa são vistas com positivismo. A energia eólica tem sido aproveitada desde a antigüidade para mover os barcos impulsionados por velas ou para fazer funcionar a engrenagem de moinhos, ao mover suas pás. Nos moinhos de vento a energia eólica era transformada em energia mecânica, utilizada na moagem de grãos ou para bombear água. Os moinhos foram usados para fabricação de farinhas e ainda para drenagem de canais. Hoje se utiliza a energia eólica para mover aerogeradores, que são as grandes turbinas colocadas em lugares de muito vento. Elas tem a forma de um cata-vento ou um moinho. Esse movimento, através de um gerador, produz energia elétrica. Precisam agrupar-se em parques eólicos, concentrações de aerogeradores, necessários para que a produção de energia se torne rentável, mas podem ser usados isoladamente, para alimentar localidades remotas e distantes da rede de transmissão. É possível ainda a utilização de aerogeradores de baixa tensão quando se trata de requisitos limitados de energia elétrica. A energia eólica é hoje considerada uma das mais promissoras fontes naturais de energia, principalmente porque é renovável, ou seja, não se esgota. Além disso, as turbinas eólicas podem ser utilizadas tanto em conexão com redes elétricas como em lugares isolados.
Já a biomassa de cana-de-açúcar, pode ser utilizada de diversas maneiras e um dos projetos mais promissores é a de combustão. Nela as matérias-primas como o bagaço da cana-de-açúcar, a serragem da madeira e resíduos da agricultura (cascas de árvores, de arroz, de café e até capim) são processadas em circuito fechado de combustão. Ali, são queimadas e degradadas e se transformam em vapor. Parte desse vapor é usada na produção de açúcar. A outra, vai para uma máquina, que transforma a energia térmica, em energia mecânica e, por meio de um gerador acoplado ao equipamento, produz energia elétrica. A cada 100 quilos de bagaço de cana-de-açúcar são produzidos 70 quilos do bio-óleo.

Impactos não são evitados, só minimizados

Até a década de 80, a implantação das usinas hidrelétricas viabilizava a parte técnica e econômica. A execução destes projetos ficava a cargo das empresas estatais estaduais e federais. E como todas eram grandes empresas, os impactos sociais e ambientais gerados pelas instalações também eram imensos. A informação é do geólogo e engenheiro elétrico da CPFL, Tarcísio Borin Jr. “Não havia legislação até então e todos os planos executados ignoravam os prejuízos ecológicos daquelas áreas devastadas e inundadas. Só a partir de 1987, com a criação do Comitê de Meio Ambiente do Setor Elétrico, que se estabeleceu pela primeira vez no País, implementos de políticas públicas para o Meio Ambiente (COMASE)”, frisou.
Borin informou que nos anos 90, as hidrelétricas começaram a adotar critérios e procedimentos para a identificação, sistematização e apropriação das áreas, levando-se em conta, impactos ambientais e medidas de controle. Entre os maiores danos pode-se enaltecer as alterações de vazão, os assoreamentos, além da inundação da vegetação e perda de habitat natural da fauna terrestre e aquática. “Infelizmente não há nenhum projeto que recupere a biodiversidade de forma total, apenas parcial da área ocupada pela construção da hidrelétrica. Temos sim, diversas medidas de controle, como mecanismos que garantam a vazão mínima do rio, contenção de encostas, coleta de mudas e implantação de viveiros para a possível recuperação da flora”.
Na fauna há o resgate de algumas espécies de animais aquáticos e terrestres. “Nem todos sobrevivem pois muitos não conseguem se adaptar as mudanças. Não se pode evitar esses impactos, nosso trabalho é na tentativa de minimizá-lo”, finalizou.

A Organização Meteorológica Mundial, agência especializada das Nações Unidas (ONU), afirmou que não há dúvidas de que a mudança climática existe e o mundo está sofrendo suas conseqüências, por isso é necessário se concentrar na adaptação a esse novo cenário e tentar minimizar seus efeitos.
“A mudança climática já aconteceu. Agora é preciso tentar se adaptar e diminuir seus efeitos”, afirmou em entrevista à agência Efe o subsecretário-geral da OMM, o sul-africano Jeremiah Lengoasa, que participa da segunda Conferência Internacional sobre Mudança Climática e Turismo, com duração de três dias em Davos, na Suíça. Lengoasa afirmou que a OMM conta com os dados e o conhecimento global sobre os efeitos do aquecimento global, mas não tem informação suficiente no âmbito local. “Quantos mais dados tivermos, mais concretos e locais, mais informação poderemos recolher para fazer uma análise detalhada”, afirmou, acrescentando que, “conhecemos a imagem geral, mas precisamos da informação local, concreta, e dessa forma realmente poderemos ajudar”. (AB)

Daniela Calderaro para Gazeta de Limeira - 07/10/2007